quarta-feira, 25 de agosto de 2010


"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quase de sabe que doerá muito mais. porque ir em frente? Não há sentido: Melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, um lenço esquecido em uma gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia, qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que nada seja aspéro como um tempo perdido. Tinha terminado então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mais de tudo isso me ficaram coisas boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento.. Ser novo."

Caio F. Abreu
Porque no meio dos restos de lágrima e calmantes, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com ele, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
  • Nem vai acontecer, mudando para continuar... ou o contrário.
"A felicidade é uma ilusão de ótica, dois espelhos que refletem entre si a mesma imagem ao infinito. Nem tente buscar a imagem original, não existe nenhuma.

Não diga que a felicidade é efêmera. O sentimento que se sente e é tomado como felicidade quando se está apaixonado , quando se teve sucesso em alguma coisa, é uma liberdade condicional antes de conhecer a pena: o ser amado não se parece com nada, o que você conseguiu não serve para nada. Isso não a faz infeliz, mas consciente. A felicidade não acaba, ela apenas se retifica.

Nós inventamos a luz para negar a escuridão. Colocamos as estrelas no céu, plantamos postes a cada dois metros nas ruas. E lâmpadas dentro de nossas casas. Apague as estrelas e contemple o céu. O que você vê? nada. Você está diante do infinito que o seu espírito limitado é incapaz de conceber, de forma que você nada mais enxerga. E isso o angustia. É angustiante estar diante do infinito. Fique calmo; os seus olhos sempre encontrarão estrelas obstruindo a trajetória deles e não irão mais longe. De forma que o vazio dissimulado por elas será ignorado por você.
Apague a Luz e arregale os olhos ao máximo. Você nada verá. Apenas a escuridão, a qual é mais percebida do que vista por você. A escuridão não está fora de você, ela está em você."
Lolita Pille

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder!

quarta-feira, 24 de março de 2010


Nas mobílias da casa encontram-se minhas memórias....procure nas gavetas, nas conclaves, nas fechaduras, nas chaves, na assoalho duro e frio do chão...deito-me em meio às frias tábuas e suas frestas, com seus frisos, adentram-me a carne, machucando-me não somente a pele, mas o coração, que junto ao soar das badaladas, de um relógio perdido no tempo, confunde-me as idéias, prende-me a fortuitos pensamentos, destroem minha fé e ao mesmo tempo confortam-me porque sei que na mobília da casa, repousam meus segredos...

domingo, 21 de março de 2010

Não contentar-se com o pouco e não querer o muito...esperar e esperar por dias melhores, oportunidades melhores, pessoas melhores, por sonhos que não se realizarão...esperanças entrecortadas por dúvidas dilacerantes....ser ou não ser, amar ou não amar, entregar-se por desejo...por vingança..por saudade, por vaidade, por simples insanidade....
Não serei vítima da fatalidade...farei meu destino...caminharei pelas pedras que virão...sempre em busca da maciez da areia sob meus pés...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Que inveja doentia tenho eu de tua vida tão perfeita.
Quisera eu ser a eleita de teus sonhos de criança,
De tua pálida inocência, de tua total serenidade e decência
Imaculada vida cuja espada da dor não transpassou...
Cujo rumo incerto e pedregoso não tomou...
Quisera eu roubar-te a vida, a respiração, a doce e pura imaginação...
Levar-te, aprisionar-te em minha esfera decadente, e assombrada pelo medo...
Pela dúvida, pela irracional vontade de acorrentar-te a alma...o fôlego, o ânimo...
Mas os sentimentos atormentados que me retém, me prendem a tal idéia,
Bem sabem, que não pertences a mim, pois nem eu me pertenço...
Deixo-me vagar em brumas, em alvoroçadas vagas do mar e é alí,
Em meio ao turbilhão de emoções que me perco, que me esvaio em lágrimas e onde...
Não mais que distante, te encontro, ao longe e digo-te adeus...e tu voltas, e me diz:
"Não sou teu, assim como não és minha...sou a lua que te consola na noite fria que chega, sou a mão que afaga teu rosto banhado pelo claro das idéias, pelo escuro da imaginação....
Vai-te e leva contigo as palavras, que de meu coração brotam, e aqui fico, esperando a próxima onda, a próxima lua..o próximo olhar...o próximo sinal de tua breve permanência..