quarta-feira, 10 de março de 2010

Que inveja doentia tenho eu de tua vida tão perfeita.
Quisera eu ser a eleita de teus sonhos de criança,
De tua pálida inocência, de tua total serenidade e decência
Imaculada vida cuja espada da dor não transpassou...
Cujo rumo incerto e pedregoso não tomou...
Quisera eu roubar-te a vida, a respiração, a doce e pura imaginação...
Levar-te, aprisionar-te em minha esfera decadente, e assombrada pelo medo...
Pela dúvida, pela irracional vontade de acorrentar-te a alma...o fôlego, o ânimo...
Mas os sentimentos atormentados que me retém, me prendem a tal idéia,
Bem sabem, que não pertences a mim, pois nem eu me pertenço...
Deixo-me vagar em brumas, em alvoroçadas vagas do mar e é alí,
Em meio ao turbilhão de emoções que me perco, que me esvaio em lágrimas e onde...
Não mais que distante, te encontro, ao longe e digo-te adeus...e tu voltas, e me diz:
"Não sou teu, assim como não és minha...sou a lua que te consola na noite fria que chega, sou a mão que afaga teu rosto banhado pelo claro das idéias, pelo escuro da imaginação....
Vai-te e leva contigo as palavras, que de meu coração brotam, e aqui fico, esperando a próxima onda, a próxima lua..o próximo olhar...o próximo sinal de tua breve permanência..

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